Aprender Inglês: O Que Sua Alimentação Tem a Ver com Isso?
A energia que alimenta o aprendizado.
Sean O'Reilly
9/24/20268 min read


Pode parecer estranho encontrar um texto sobre alimentação em um blog sobre aprendizado de idiomas. Afinal, o que sua nutrição tem a ver com aprender inglês? Mais do que pode parecer!
Aprender uma língua exige atenção, memória, capacidade de concentração, disposição e, principalmente, muitas horas de contato com o idioma. Tudo isso depende do funcionamento do cérebro. E o cérebro, assim como qualquer outra parte do corpo, precisa de energia, nutrientes e descanso para funcionar adequadamente.
Isso não significa que exista uma dieta capaz de transformar alguém em um gênio dos idiomas. Não existe alimento mágico para aprender inglês. A ideia aqui é bem mais simples: se você pretende exigir bastante do seu cérebro, vale a pena cuidar das condições em que ele terá de trabalhar. Foi algo que percebi na prática.
Depois de algum tempo estudando inglês, descobri que o tédio de consultar dicionários não era o único problema. Eu também ficava cansado. E comecei a perceber que aprender um idioma não dependia apenas de encontrar bons materiais e técnicas de estudo. Eu precisava também cuidar melhor do meu corpo.
Muita gente, especialmente depois de certa idade, acredita que perdeu a capacidade de aprender. Isso não corresponde ao que sabemos hoje sobre o cérebro. A aprendizagem continua sendo uma capacidade natural durante toda a vida, embora crianças e adultos tenham experiências, responsabilidades, níveis de exposição e características biológicas diferentes. Com a idade, algumas habilidades podem mudar, mas o cérebro continua capaz de aprender e formar novas conexões. A chamada neuroplasticidade não desaparece simplesmente porque envelhecemos. Existe, inclusive, evidência de que a formação de novos neurônios continua a ocorrer no cérebro adulto, especialmente no hipocampo. Portanto, não precisamos acreditar que nosso cérebro seja uma máquina que “vence o prazo de validade” para continuar aprendendo. E isso é uma ótima notícia para quem quer aprender um novo idioma depois dos 30, 40, 50 anos ou mais.
Indo ao ponto: preste atenção ao que você come. O cérebro representa apenas 2% do peso corporal, mas consome aproximadamente 20% da energia do organismo em repouso, e ele precisa de um fornecimento contínuo de energia e nutrientes para manter seu enorme metabolismo. Por isso, uma alimentação variada, suficiente e nutricionalmente adequada é o ponto de partida. Proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas, minerais e água fazem parte desse conjunto.
Suplementos podem ser úteis em certas situações, especialmente quando existe deficiência, necessidade específica ou dificuldade de obter determinado nutriente pela alimentação. É importante entender que suplemento é algo que complementa a sua alimentação, que precisa ser de boa qualidade.
Se você tem uma alimentação muito limitada ou suspeita de alguma deficiência nutricional, converse com um médico ou nutricionista. Exames são muito mais úteis do que tentar adivinhar quais vitaminas ou minerais estão faltando.
Existem nutrientes particularmente importantes para o funcionamento do sistema nervoso. A colina, por exemplo, participa da formação de componentes das membranas celulares e da produção de acetilcolina, um neurotransmissor importante para diversas funções do sistema nervoso. Ovos, especialmente a gema, são uma das fontes alimentares de colina.
As vitaminas do complexo B também participam de diversas reações metabólicas relacionadas ao sistema nervoso. O mesmo vale para proteínas e para os ácidos graxos essenciais. O ômega-3, especialmente DHA e EPA, participa da estrutura e do funcionamento das membranas celulares, inclusive no sistema nervoso. Peixes como sardinha e outros peixes gordurosos são boas fontes.
Creatina:
Este é um suplemento importante. A creatina é conhecida principalmente por sua relação com o metabolismo energético dos músculos, mas ela também participa do sistema de fornecimento de energia das células do cérebro.
Pesquisas recentes demonstram que a suplementação de creatina pode beneficiar alguns aspectos da cognição, especialmente memória e atenção, e existe interesse crescente em seu papel no envelhecimento. Uma revisão sistemática recente em adultos mais velhos encontrou resultados predominantemente favoráveis.
Antioxidantes:
Nosso organismo produz naturalmente moléculas reativas durante o metabolismo. O sistema antioxidante existe, entre outras funções, para manter essas reações sob controle.
Frutas, verduras, legumes, sementes e outros alimentos fornecem diversos compostos antioxidantes.
Entre os suplementos que despertam interesse está o Pycnogenol, um extrato padronizado da casca do pinheiro-marítimo francês (Pinus pinaster), aquele com folhas lineares e aparência de fiapos grandes - é uma árvore abundante no Brasil - rico em proantocianidinas, um antioxidante poderoso. Apesar de o extrato ter padrões químicos diferentes, as mesmas substâncias são encontradas na semente da uva. O nome Pycnogenol é uma marca registrada da empresa Horphag Research, e se procurar por Pycnogenol na Internet, encontrará vários produtos com essa marca, que são um tanto caros. Porém, existem os correlativos, um deles chama-se Grape Seed (semente de uva em inglês). Casas de suplementos alimentares no Brasil já vendem diversas versões, algumas delas produzidas no Brasil. Também pode-se encontrar na Internet. Dá para fazer um chá com sementes de uva moídas, ou com a casca do pinheiro ralada, caso encontre fontes limpas da casca do pinheiro, ou seja, longe de poluição industrial ou urbana. Penso que é mais fácil, e até mais seguro, comprar o produto.
Outro assunto que merece atenção é o NAC, ou N-acetilcisteína, que fornece cisteína, um dos componentes necessários para a produção de glutationa, um importante sistema antioxidante intracelular. A glicina também participa da formação da glutationa.
Existe pesquisa interessante sobre a combinação de glicina e NAC, especialmente no envelhecimento. Alguns estudos em adultos mais velhos encontraram melhora em marcadores relacionados à glutationa, estresse oxidativo e metabolismo, e há resultados preliminares também em medidas cognitivas. É recomendável fazer uma avaliação sobre sua condição pessoal de saúde e como seu organismo lida com a suplementação desses nutrientes, para saber exatamente que doses tomar de cada uma delas. Os antioxidantes protegem e fortalecem o sistema imunológico, vascular, ósseo, neurológico e melhoram sua saúde em todos os aspectos, o que é importante para o metabolismo, de modo geral, ajudando no melhor aproveitamento dos nutrientes.
Magnésio:
É interessante escolher um bom magnésio. Eu, particularmente, uso o bisglicinato de magnésio, que tem um leve direcionamento para o sistema nervoso e uma alta taxa de absorção. E cuidado com esses produtos do tipo 7 magnésios, pois, diferente do complexo B, você não precisa de vários magnésios diferentes, só precisa de 1 com boa taxa de absorção. Muitas vezes, esses que têm vários magnésios, o principal componente é o Óxido de magnésio, que tem taxa de absorção baixíssima, e, as vezes, compõe 90% do produto, por ser o mais barato de se produzir.
Lembre-se de que, recentemente, a pirâmide alimentar tida como saudável foi alterada, e tudo aquilo que nos diziam fazer mal à saúde, como carnes e gorduras animais, na verdade, é a melhor fonte nutricional para manter a saúde. Além disso, é preciso tomar cuidado com muita coisa que andam dizendo por aí, pois ultimamente têm surgido várias pessoas condenando a suplementação nutricional, quase sempre sem respaldo e sem fonte verificável, praticando o chamado terrorismo alimentar. Por isso, é recomendável checar as informações por conta própria, procurar aprender sobre nutrição e suplementação, dando atenção às questões particulares de sua própria saúde, para não ficar refém de quem não tem compromisso para com a saúde alheia e que, muitas vezes, só está interessado em chamar a atenção e fazer audiência. Nunca se esqueça de que a indústria farmacêutica tem total interesse financeiro em te ver doente e não saudável.
Água:
Tem-se dito, nos últimos anos, que um dos maiores inimigos na meia-idade é o baixo consumo de água, e isso acontece porque, com a idade, a pessoa diminui a capacidade de sentir sede e, normalmente, quando sente, o corpo já está começando a ficar desidratado, e isso não é só ruim para o metabolismo cerebral, pois afeta a saúde de todo o corpo. Uma boa dica para a hidratação é fazer exercícios com regularidade. Há quem use aplicativos que lembram periodicamente para se tomar água. Eu, simplesmente, programo os lembretes no meu despertador.
Boas noites de sono:
Se alimentação fornece matéria-prima e energia, o sono é outra parte fundamental da história.
Dormir bem é importante para a atenção, aprendizagem e memória. O sono não é simplesmente um período em que o cérebro “desliga”. Durante a noite, diferentes estágios do sono participam de processos de reorganização e consolidação das memórias.
O sono REM, muito conhecido como sono reparador, tem participação em determinados processos de memória, mas o sono não REM também exerce papel importante na consolidação de informações. O conjunto dos diferentes estágios do sono é que importa.
Um quarto escuro, silencioso e confortável pode ajudar. Manter horários relativamente regulares também costuma ser útil. E se você passa horas no celular, joga ou assiste a vídeos até o momento de apagar a luz, experimente uma rotina mais tranquila antes de dormir. Reduzir estímulos e criar uma transição mais calma para o sono ajuda bastante.
Se você dorme o suficiente e, mesmo assim, acorda constantemente cansado ou sonolento durante o dia, vale conversar com um médico ou ir a uma clínica do sono. Problemas como insônia e apneia do sono podem prejudicar bastante a qualidade do descanso. Se, ao acordar, você tem energia e disposição para encarar o dia, é um bom sinal de que sua noite de sono foi bem aproveitada.
E o estresse?
Diminuir o estresse é outra condição essencial. Ter uma atitude positiva para com a vida e relevar pequenas falhas das pessoas, não é uma dica apenas para se ter uma vida feliz e saudável. Fugir de discussões e brigas fúteis é fundamental para seu cérebro se concentrar no estudo de um idioma. Se existem problemas realmente sérios que afetam sua vida e necessitam de sua atenção, você deverá encontrar uma maneira de solucioná-los, ou deixá-los sob controle, ou em vias de serem solucionados, de modo a fazer sua mente desviar-se desses assuntos em seu momento de estudo. Nem sempre será possível resolver os problemas antes de estudar, mas, às vezes, basta saber que existe um plano para lidar com eles depois, para conseguir focar em outra coisa.
Uma caminhada, alguns minutos de exercício ou simplesmente sair de casa também podem ajudar a mudar o estado mental antes de voltar aos estudos. E o exercício não serve apenas para relaxar. Pesquisas em adultos mais velhos encontraram associações positivas entre atividade física e aspectos da cognição, incluindo memória e funções executivas.
Um cérebro bem cuidado aprende melhor. Perceba que, até aqui, quase nada do que mencionei é exclusivamente sobre inglês. E esse é justamente o ponto. Você não precisa de uma “alimentação para aprender inglês”. Precisa cuidar das condições que permitem que seu cérebro funcione bem.
Alimentação adequada, sono suficiente, atividade física, controle do estresse e contato intelectual frequente formam um conjunto muito mais importante do que só tomar suplementos. E aprender um idioma faz parte desse conjunto. Ler, ouvir, conversar, memorizar palavras, compreender frases, reconhecer padrões, perceber diferenças entre estruturas e recuperar informações da memória são atividades intelectuais que mantêm o cérebro ativo e saudável.
Portanto, quando você estudar inglês, não pense apenas no que está acontecendo com seu vocabulário. Pense também no que está acontecendo com seu cérebro. Você está construindo novas associações, recuperando informações, reconhecendo padrões e transformando algo que inicialmente parecia estranho em algo cada vez mais familiar.
É por isso que aprender um idioma é uma atividade tão interessante. Você não está apenas aprendendo uma nova maneira de dizer as coisas. Está construindo uma história de convivência com uma nova língua. E, para essa história continuar por muitos anos, seu cérebro merece um pouco de atenção também.
Se você ainda não viu, dê uma olhada nas postagens anteriores do blog. Nelas, usamos trechos do romance O Altruísta Autotóxico, em sua versão bilíngue, para mostrar expressões, escolhas de tradução, diferenças entre o português e o inglês e pequenas descobertas que podem passar despercebidas durante uma leitura comum.
A ideia é simples: aprender inglês sem sentir que estamos fazendo uma lição de inglês. Afinal, quando a aprendizagem também é divertida, fica muito mais fácil querer continuar.
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O inglês não entra pela repetição de regras, mas pelo arrepio emocionante de virar a página no escuro.
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